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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

rock galês

Primeiro, eu ia colocar uma bela coletânea do Bread. Aí comecei um texto, mas as férias me deram uma preguiça-bloqueio. Não ia pra frente. Depois, pensei em colocar um disco meio esquecido dos Beatles, estava com ele na mão, mas mudei de idéia. Como faz tempo que eu não escrevo nada aqui no blog, ou seja, estava de fato enferrujado, resolvi escolher algo relativamente raro, que talvez seja mais difícil de encontrar e realmente diferente. Olhei para uma pequena pilha de discos que tenho aqui na minha frente. O nome mais esquisito era esse: Gorky's Zygotic Mynci. Achei meu post.


Bom, o negócio é o seguinte: Essa era uma banda do País de Gales, e não é à toa que muitas das músicas, além do próprio nome do grupo, estão em galês (zygotic lembra aulas de biologia, mas parece que mynci quer dizer macaco... não ajuda né?). Lembro que descobri a banda assistindo o Lado B da MTV e, meio que perdido na programação, estava um clipe deles. Era da música “Spanish Dance Troupe”, que inclusive é uma das melhores do disco e tem um clipe meio cigano, meio espanhol e meio chapado. Parece realmente a trilha de uma viagem que você está fazendo com uma trupe de dança espanhola e vocês estão indo até a Romênia.



No mais, canções que conseguem juntar o pop melódico típico de bandas britânicas desde os Beatles com esquisitices galesas – pra não forçar a barra e dizer que “oh, eles fazem um som folk”, porque, como disse antes, esse termo já encheu o saco – e barulheiras divertidas de guitarras, que criam sons ambientes e psicodélicos. Na primeira faixa, fique atento à cigarra e deixe o disco rolando, a segunda faixa é fodida e a última, um mini-épico emocionante. O disco é realmente bom, e a voz de Euros Childs (sim, mais um nome esquisito) é de timbre peculiar e doce.

Ainda que seja somente para constar como a banda com nome mais zoado que você já ouviu, Spanish Dance Troupe é um dos melhores álbuns feitos na década de 90 na ilha da rainha e que conseguiu de maneira muito pessoal fugir da típica sonoridade presa entre a briga Oasis x Blur. É uma outra coisa. É som de caipira, véi. Preste atenção no sotaque.

Ficha Técnica



Gorky's Zygotic Mynci - Spanish Dance Troupe
Lançado em 1999



1."Hallway"
2."Poodle Rockin'"
3."She Lives on a Mountain"
4."Drws" (James)
5."Over and Out" (E. Childs, James)
6."Don't You Worry" (M. Childs)
7."Faraway Eyes" (E. Childs, James)
8."Fool" (James)
9."Hair Like Monkey"
10."Spanish Dance Troupe"
11."Desolation Blues"
12."Murder Ballad"
13."Freckles"
14."Christmas Eve"
15."Humming Song"

terça-feira, 22 de abril de 2008

Eric Clapton no berço da coisa toda

É fácil gostar de Eric Clapton. Ele é um guitarrista sensacional, que sabe dosar bem o quanto deve tocar. É um compositor que soube aliar como poucos o sentimento do blues a clima mais roqueiros, sendo versátil, honesto e inegavelmente pop quando quis ser. Tem um bom nome e uma boa presença de palco, sempre elegante, ainda que, muitas vezes, não soubesse muito bem o que estava fazendo por conta de doses homéricas de cocaína ou álcool... ou heroína. Sua voz só melhorou com o tempo. Tem uma história digna de um verdadeiro blueseiro, cheia de encruzilhadas e dramas pessoais. Ganhou uma cacetada de Grammys por conta de um dos melhores acústicos já feitos, se não for o melhor.

E cá estou eu, postando na verdade um disco que não tem sequer uma música composta por ele, ainda sim, um puta disco.

From the Cradle (ou seja, “do berço”) saiu logo depois do acústico, e trata-se simplesmente de Clapton com uma banda muito boa tocando só musicão de raiz, antigos blues que o ajudaram a formar seu estilo. Ou seja, é mais ou menos um disco essencial pra quem gosta de guitarra e/ou blues e/ou Eric Clapton. Como mais ou menos todas as três coisas estão ligadas, se você não conhece esse disco, não pode fugir mais dele.

Ah, e esse álbum foi gravado ao vivo no estúdio, com um ou dois overdubs adicionais. Dá pra sentir o clima da gravação, ou seja, isso é isso aí mesmo.





Ficha técnica


Eric Clapton - From the Cradle

1994, lançado pela Reprise Records

Duração - 60:10

Produzido por Eric Clapton e Rus Titelman


Músicas para Download


1 Blues Before Sunrise

2 Blues Leave Me Now

3 Driftin'

4 Five Long Years

5 Goin' Away Baby

6 Groaning The Blues

7 Hoochie Coochie Man

8 How Long Blues

9 I'm Tore Down

10 It's Hurts Me Too

11 Motherless Child

12 Reconsider Baby

13 Sinner's Prayer

14 Someday After A While

15 Standn' Round Crying

16 Third Degree



E, neste link, uma entrevista em que ele fala sobre o disco From the Cradle. Aliás, é um mini-documentário muito bom, vale a pena ver até porque é raro ver o cara falando por aí.

http://www.youtube.com/watch?v=16lT5v57DLE

sexta-feira, 28 de março de 2008

Bons tempos!


É difícil classificar o Green Day, pois duas décadas separa a banda do punk original e – apesar de notáveis influências – o power trio californiano nunca poderia ser inserido no gênero, pois esse movimento, de certa forma, nasceu e morreu com grupos como The Clash e Sex Pistols. A verdade é que todos esses artistas dos 70 abriram caminho para uma enxurrada de novas interpretações do que faziam. Infelizmente, esse caminho nos levou ao emo core, mas, em compensação, fez nascer também o Green Day, o que poderíamos chamar de pop punk (se é que isso existe), já que não é segredo para ninguém que os caras sempre fizeram música para vender muitos CDs.

No entanto, a popularidade nunca comprometeu a qualidade. Os últimos álbuns têm algumas músicas bem ruins, mas nada pode manchar a carreira dos compositores de “She”, “Welcome to paradise” e “Basket case”. Todas essas, hinos pertencentes ao terceiro disco, Dookie (1994).

Esse é o álbum que faz você querer tocar aquela guitarra invisível e concordar com o som toda hora. É bom porque é simples e divertido ao mesmo tempo que é inventivo em pequenos detalhes, apesar de ser repetitivo como um disco dos Ramones. Também é rápido, desencanado e pesado (sem ter sequer uma baladinha meleca) como as melhores guitarradas de Iggy Pop.

Enfim, esse disco é vivo e faz você querer ser adolescente porra louca mais uma vez. “When I Come Around” é, para mim, uma música inesquecível e a melhor desse álbum fantástico. Eu não precisava entender de nada para saber que os caras mandavam muito bem. Dookie é pertencente a melhor fase do Green Day; tempos em que Billie Joe pintava o cabelo de uma cor diferente a cada show.

Ficha Técnica


Dookie - Green Day
Lançamento Original: fevereiro, 1994
Gravadora: Reprise


1. Burnout
2. Having a Blast
3. Chump
4. Longview
5. Welcome to Paradise
6. Pulling Teeth
7. Basket Case
8. She
9. Sassafras Roots
10. When I Come Around
11. Emenius Sleepus
12. Coming Clean
13. In The End
14. F.O.D. (Fuck Off And Die) / All By Myself (Hidden Track)

Woodstock, 1994. O que dizer? Sei que queria muito estar lá! Principalmente com toda a lama!! Esse vídeo é animal, mas me deixou com algumas dúvidas: 1- Como é possível conseguir um carrinho de supermercado no meio de um show? 2- O cara que some depois de cair completamente contorcido das mãos da galera sobreviveu? 3- Como pode uma guitarra não desafinar depois de ser atingida por uma bola de terra?


segunda-feira, 24 de março de 2008

A solidão de Stephen Stills

Com alguns artistas, parece acontecer o seguinte: eles são bons, muito bons. Contudo, acabam pisando na bola e construindo uma carreira irregular, ainda que longa. Não estou dizendo aqui que a maioria dos músicos (agora eu vou usar uma palavra que odeio, mas é o ideal) “consagrados” (arghhhh...) só têm discos bons no currículo. Acontece que muitas vezes temos a sensação de que tal cara está devendo aquele disco, um álbum de redenção.
Faz tempo que Stephen Stills fez parte do Buffalo Springfield ou gravou o clássico e irretocável Crosby, Stills & Nash de 1969. Muito tempo mesmo, contudo, sempre tomou para si o lado mais blues e áspero da turma. Não é à toa que dos três (ou quatro, se você quiser contar seu amigo Neil Young) ele é o que mais, digamos assim, envelheceu mal. Um punhado de álcool (minha aposta é bourbon, Jack Daniels caubói) e uma depressão causada pela morte da esposa ajudaram o velho Stills a ficar um pouco abaixo do desempenho do bigodudo David Crosby por exemplo, que até hoje tem uma voz cristalina, pontente e jovem. Sim, é verdade. Olha aí, com o Nash em 2005, tocando a linda “Page 43”.

Agora você vai me dizer “ah, mas o Crosby é um puta doidão também”. Aham, mas os fatos são fatos e as diferenças são visíveis. Ou genéticas.
Stills nunca foi um vocalista sensacional, mas eu pessoalmente adoro sua voz rouca, e obviamente sua pegada blues absurda. Em 1991 já era possível notar que ele já não era o moleque que cantava “For What is Worth”, mas ele finalmente entregou aos fãs um disco que estava devendo há muito. Stills Alone é basicamente mesmo o que o nome do álbum sugere. Quase sem overdubs (que significa adiocionar a uma faixa já gravada vozes ou instrumentos a mais), é como se Stephen estivesse do seu lado, tocando violão e lembrando de algumas ou outras canções. É íntimo e quase comovente.
É o melhor disco do mundo? Claro que não, mas merece ser ouvido com toda sensibilidade que a sua alma suja conseguir, seu velho cão safado.


Ficha Técnica
Stephen Stills – Stills Alone
Duração - 30:36
Vision Records, 1991



Músicas para download

1. "Isn't It So" (Stills) – 3:14
2. "Everybody's Talkin'" (Neil) – 3:20
3. "Just Isn't Like You" (Stills) – 2:01
4. "In My Life" (Lennon/McCartney) – 2:10
5. "The Ballad of Hollis Brown" (Dylan)– 3:30
6. "Singin' Call" (Stills) – 2:20
7. "The Right Girl" (Stills/Pague) – 2:54
8. "Blind Fiddler Medley" (traditional/Stills/Hopkins) – 4:37
9. "Amazonia" (Stills) – 2:28
10. "Treetop Flyer" (Stills) – 4:02

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A antologia e o rio

Bruce Springsteen gravou uma das melhores coletâneas já feitas, o disco Greatest Hits – de 1995 – é uma brilhante recapitulação de sua impressionante carreira. Pode parecer esquisito elogiar uma compilação, mas essa é diferente: todas as músicas foram regravadas e, muitas vezes, sutilmente rearranjadas. Além disso, Bruce aparece aqui ao lado dos amigos que participaram dos álbuns mais bem-sucedidos de sua vida, os integrantes da E Street Band. Com exceção de “Born in the USA”, todas as outras 17 faixas selecionadas são incríveis; disco que você escuta de ponta a ponta sem cansar. O destaque vai para “The River” e sua linda linha de gaita, melodia digna de ser escutada depois de brigar com a namorada em dia de chuva, com o perdão do clichê.

“The River” pertence a um disco duplo homônimo de 1980, o quinto de sua carreira. Nesse trabalho – como em todos os outros – Bruce demonstra algumas baladas salpicadas de solos de sax (acreditem, ele faz isso sem nem mesmo esbarrar no brega) e faixas rock com alguma influência folk. No último caso, sempre acompanhado de sua Fender Telecaster de madeira clara.

De nada adianta falar de qualquer álbum de Bruce Springsteen e não mencionar suas letras. Esse artista é um dos mais líricos de sua geração e país, talvez um nada atrás de Bob Dylan. Enfim, todos as 28 gravações desse músico (desde o começo, em 1973) merecem ser analisadas com cuidado, afinal não foi por acaso que ele ganhou um Oscar ("Streets Of Philadelphia") e vários Grammy.

Ficha Técnica

















The River e Greatest Hits – Bruce Springsteen
Lançamento original: 1980 e 1995
Gravadora: Sony e Columbia

Musicas para Download/The River 1

1. The Ties That Bind - 3:33
2. Sherry Darling - 4:04
3. Jackson Cage - 3:04
4. Two Hearts - 2:42
5. Independence Day - 4:49
6. Hungry Heart - 3:24
7. Out In The Street - 4:19
8. Crush On You - 3:10
9. You Can Look (But You Better Not Touch) - 2:35
10. I Wanna Marry You - 3:28
11. The River - 5:05

Músicas para download/ The River 2


1. Point Blank - 6:06
2. Cadillac Ranch - 3:05
3. I'm A Rocker - 3:34
4. Fade Away - 4:43
5. Stolen Car - 3:58
6. Ramrod - 4:05
7. The Price You Pay - 5:27
8. Drive All Night - 8:29
9. Wreck On The Highway - 4:00

Músicas para download/ Greatest Hits

1. Born To Run - 4:32
2. Thunder Road - 4:48
3. Badlands - 4:02
4. The River - 5:00
5. Hungry Heart - 3:19
6. Atlantic City - 3:58
7. Dancing In The Dark - 4:02
8. Born In The U.S.A. - 4:39
9. My Hometown - 4:12
10. Glory Days - 3:50
11. Brilliant Disguise - 4:16
12. Human Touch - 5:09
13. Better Days - 3:44
14. Streets Of Philadelphia - 3:16
15. Secret Garden - 4:28
16. Murder Incorporated - 3:58
17. Blood Brothers - 4:33
18. This Hard Land - 4:53

"The River" ao vivo